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A Odisseia, de Christopher Nolan | Jornal Integração da Serra

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A Odisseia, de Christopher Nolan

Coluna de Gabriel Elias Josende

Vânia
Vânia Publicado em 12/08/2026 16:06
Fonte: Espaço Cultura Foto: Foto/Reprodução: Nerdizmo

A Odisseia, de Christopher Nolan

Por Gabriel Elias Josende

 

Fui ao cinema e assisti à mais nova adaptação de “A Odisseia”, texto milenar, um dos fundadores dos mitos gregos e da literatura ocidental. Quem me conhece sabe do meu fascínio pela mitologia. Sou um eterno apaixonado por deuses, semideuses, heróis, suas aventuras e desventuras. Assim, o que não faltaram foram pessoas que me perguntaram pela minha opinião em relação ao filme de Christopher Nolan, lançado mundialmente nos cinemas neste mês. Então, resolvi falar sobre isso para aproveitar o timing do lançamento.

 

As pessoas esqueceram o que é uma adaptação

O que mais vi foram comentários dos mais absurdos. Viúvos e viúvas de Homero que – aqui coloco a mão no fogo – aposto que nunca nem leram sua obra na íntegra. O que vi foi uma série de acusações racistas (teve uma galera aí indignada por Helena ser interpretada por Lupita Nyong’o, atriz preta e de ascendência queniana), bem como críticas à velocidade dos acontecimentos, à falta de interação com os deuses e por aí vai. É lógico que um texto com mais de 3 mil anos precisa ser adaptado ao nosso tempo. Trata-se de um poema épico com mais de 12 mil versos, com métrica fixa, profundidade e camadas intermináveis de interpretação. O desafio enfrentado por Nolan foi trazer às telas aquela que é a obra mais influente do Ocidente, e uma das mais influentes de toda a história do mundo. É inegável que faltou algum aprofundamento, mas adaptar 12 mil versos em menos de 3h não é tarefa fácil. Nolan é, indiscutivelmente, um dos maiores cineastas do nosso tempo, responsável por sucessos como “Oppenheimer” e “Interestellar”. Ouso dizer que “A Odisseia” tenha sido seu trabalho mais desafiador até o momento.

 

Uma vitória para a cultura clássica

Se há um impacto verdadeiramente positivo nisso tudo, é o aumento do interesse pela literatura grega. No mundo todo, as edições de “Ilíada” e “A Odisseia” têm se esgotado rapidamente, bem como tem aumentado drasticamente a procura por obras de cultura clássica: Eurípedes, Ésquilo, Sófocles e Aristófanes surfam na onda. Essa é, para mim, a grande vitória nisso tudo. Os mitos gregos vivem, e quem sabe agora, como não viviam há muitos anos. Élate mazí mou, Dodecatheon!

 

Não ouse duvidar

Duvidar do meu amor é duvidar do ar na atmosfera. É duvidar que Hércules venceu as feras e que Penélope espera Ulisses voltar.

Duvidar do meu amor é duvidar do horizonte. Da doma de Pégaso por Belerofonte, é duvidar de um monte de coisas sem pensar.

Duvidar do meu amor é duvidar da física e da inércia. É duvidar da própria Grécia, até do príncipe da Pérsia e de cada gota do mar. Duvidar do meu amor é duvidar da própria Afrodite. É duvidar que o Olimpo nos permite viver a história que, acredite, irá nos levar até o altar.

Duvidar do meu amor é duvidar do infinito. É sentir-se sempre aflito, é duvidar do que é bonito, é não saber o que é amar.

 

Poema autoral.

Vida longa aos mitos!

 

Envie sua contribuição! gabriel@gabrieljosende.com

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